25 de Março – a luta pela independência da Grécia!

Todos os anos no dia 25 de março celebra-se a revolução dos gregos contra o Império Turco. Na verdade, é a data mais importante na história da Grécia Moderna e o ponto de partida da regeneração nacional.

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“Melhor uma hora de liberdade do que 40 anos de escravidão.”

Independência?


Mesmo antes da dissolução do Império Bizantino, grande parte do território já estava sob o domínio dos otomanos. A dominação turca iniciou-se em 1453 e continuou até 1832. Porém ,1821 foi quando os gregos se revoltaram e iniciaram a luta por sua independência.

A Revolução Grega ou Revolução de 1821 foi a insurreição armada dos gregos contra o Império Otomano, a fim de derrubar o domínio turco e estabelecer um Estado Nacional Independente.

As origens do movimento nacional grego foi detectado na fase madura do Iluminismo grego moderno, por volta de 1800. Durante este período, a disseminação da educação foi acompanhada pela proliferação, inicialmente, da idéia de ter uma nação grega associada com a Grécia antiga e com o direito de uma política separada.

Uma das organizações que foram criadas dentro deste clima ideológico e político foi a Sociedade de Amigos – uma organização conspiratória fundada em 1814 em Odessa por três comerciantes gregos para preparar uma revolução grega.

O Filelenismo (amigos da Grécia)


Por causa da influência grega do período clássico, havia muita simpatia pela causa grega por toda a Europa. Muitos aristocratas dos Estados Unidos e da Europa Ocidental, como o poeta Lord Byron, pegaram em armas e se juntaram aos revolucionários gregos. Outros financiaram a revolução.

O historiador escocês e fileleno, Thomas Gordon, participou da luta revolucionária e escreveu posteriormente, em língua inglesa, as primeiras histórias sobre a revolução grega.

Assim que a revolução começou, as atrocidades otomanas tiveram ampla divulgação na Europa e elevaram a simpatia pela causa grega na Europa Ocidental. Por outro lado, os governos do Reino Unido e da França suspeitavam que a revolta teria sido arquitetada pela Rússia, com o objetivo de tomar a Grécia (e possivelmente Constantinopla) dos otomanos.

Apesar de a revolução ter adquirido ampla simpatia do público as Grandes Potências não ofereciam seu total apoio.

Lord Byron passou certo tempo na Albânia e na Grécia coletando fundos e suprimentos (incluindo a provisão de muitos barcos), mas faleceu de febre em Mesolongi em 1824. A morte de Byron teve repercussão pela Europa e adicionou maior apoio à causa grega. Isso finalmente levou as potências ocidentais a intervirem diretamente no conflito.

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Pintura de Ludovico Lipparini: O Juramento de Byron

As Batalhas


Os gregos se encontravam incapazes de estabelecer um governo estável nas áreas controladas e logo se envolveram em brigas internas. Os conflitos entre gregos e otomanos continuaram até 1825, quando o sultão Mehmet Ali requisitou a ajuda do Egito, o seu Estado vassalo mais forte da época.

Em 1827, esquadras britânicas, russas e francesas, por iniciativa de comandantes locais e com apoio tácito de seus governos, atacaram e destruíram a esquadra otomana durante a Batalha de Navarino.

Em outubro de 1828, os gregos reagruparam e formaram um novo governo, liderado por Ioánnis Kapodístrias. Eles então avançaram para tomar a maior quantidade de territórios possível, incluindo Atenas e Tebas, antes que os poderes ocidentais impusessem um cessar-fogo. Os gregos capturaram as últimas fortalezas turcas do Peloponeso, com a ajuda do general francês Nicolas Joseph Maison.

O último grande embate da guerra foi a Batalha de Petra, travada no norte de Ática. Forças gregas sob o comando de Dimítrios Ipsilantis, pela primeira vez treinadas para lutar como um exército regular europeu em vez de uma simples guerrilha armada, avançaram contra as forças otomanas.

As forças gregas enfrentaram as tropas turcas e conseguiram derrotá-las. Os turcos cederam mais algumas terras em troca do direito de passagem para fora da Grécia Central.

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Batalha de Navarino –  Impressão na nota de 100 dracmas de 1955.

Os acordos


O único grego que conseguiria ser apoiado pelos vários líderes rebeldes para se tornar presidente do novo Estado, Ioánnis Kapodístrias, foi assassinado em 1831 em Naúplio, o que levou a uma guerra civil.

Com a continuação da desordem na península grega, as Grandes potências buscaram formalmente pôr fim na guerra e reconheceram o governo da Grécia. O trono grego foi primeiramente oferecido a Leopoldo I da Bélgica, que recusou.

Em maio de 1832, na Conferência de Londres de 1832, as Grandes Potências (Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, França) e o Império Russo ofereceram o trono ao príncipe da Baviera, Otto Wittelsbach, sem consultar a opinião pública grega e a linha de sucessão foi também estabelecida.

Com o protocolo assinado em 7 de Maio de 1832, a Grécia se tornou um Reino independente. O Império Otomano recebeu uma compensação de 40 milhões de piastres pela perda do território.

Em 21 de Julho de 1832, representantes das Grandes potências concluíram o Tratado de Constantinopla, que estabeleceu as fronteiras do novo Reino Grego em uma linha que ligava a cidade de Arta até a de Vólos.

05 Tratado de Constantinopla.jpg
Tratado de Constantinopla

Resultados


As conseqüências da revolução grega foram ligeiramente ambíguas no curto-prazo. Uma nação independente grega foi estabelecida, mas com Grã-Bretanha, Rússia e França sendo influência nas políticas gregas e com a “importação” da dinastia da Baviera e de um exército mercenário.

O país, que foi devastado após dez anos de conflito, estava abarrotado de refugiados e propriedades turcas abandonadas, necessitando de reforma agrária.

A nova nação continha 800 mil pessoas, menos do que um terço dos 2,5 milhões de habitantes gregos do Império Otomano. Durante grande parte do século seguinte, os gregos lutaram pela liberação dos territórios “irredentos” do Império Otomano, de acordo com a Grande Ideia: o projeto de unir todos os gregos em um só país.

Como um povo, os gregos passaram a ser vistos como traidores no Império Otomano, especialmente entre a população muçulmana. Em Constantinopla e no restante do Império Otomano, onde banqueiros e mercadores gregos tinham forte presença, houve certa substituição por banqueiros armênios e mercadores búlgaros ganharam espaço.

No longo-prazo, a revolução grega se destaca como um evento desencadeador do colapso do Império Otomano. Pela primeira vez um povo cristão se livrou da dominação turca e estabeleceu um Estado totalmente independente e reconhecido pela Europa.

Isso daria esperança a outros povos dominados pelo Império Otomano.

Posteriormente,sérvos, búlgaros e romenos também conseguiriam expulsar os turcos de seus territórios e estabelecer Estados livres.

A Turcocratia deixou varias heranças culturais, tradições e costumes que são mantidos até hoje pelo povo grego, como a gastronomia, arquitetura e uma certa influência na língua, principalmente em locais mais ao norte da Grécia, como Thessaloniki <3.

Que viagem no tempo!

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